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O deslumbrante Salar de Uyuni

Oi,  gente! Voltei pra contar pra vocês desse lugar que foi uma das coisas mais impressionantes e surreais que eu já vi na vida. Quando tive a oportunidade de morar em La Paz por um mês, tive o prazer de conhecer o Salar de Uyuni, no sudoeste da Bolívia. Trata-se do maior deserto de sal do mundo! Sua área é de mais de 10.000km2 (área maior que a Grande São Paulo) a 3650 metros de altitude. Localizado entre o departamento de Potosí e Oruro, estima-se que há em torno de 10 bilhões de toneladas de sal nesse “deserto”.

O tamanho e o brilho do Salar são tão absurdos que os astronautas do Apollo 11 utilizaram-no de guia em 1969. Ele é o único lugar natural da Terra que pode ser visto do espaço por conta do seu brilho. E se mesmo do espaço impressiona, estar presente nesse lugar é uma experiência indescritível. Acho que nesse momento, de fato, as imagens realmente explicam melhor que as palavras.

Aqui você confere mais sobre o mês que morei em La Paz e pude conhece rum pouco mais sobre este país incrível.

Quando ir ao Salar de Uyuni

Essa é a decisão mais difícil de ser tomada. No verão, o Salar fica coberto por uma camada de água por conta das chuvas. Isso deixa a paisagem espelhada e fica difícil perceber a diferença entre céu e terra. Nós fomos nessa época, como podem perceber nas fotos, e eu achei essa parte a mais impressionante. Por outro lado, a presença dessa camada de água dificulta o acesso a alguns lugares. Não pudemos visitar a Ilha Incahuasi, que fica no meio do deserto e tem “cordones” (cactos) de até 10 metros de altura. Essa ilha é famosa por ter sido uma parada importante em caminhadas incas.

Já no inverno, o acesso a vários pontos é bem mais tranquilo. Contudo, o espelhado é substituído por um solo muito branco com hexágonos. Além disso, o clima é ainda mais frio, chegando a 10 graus negativos. Em todo caso, sempre se deve ir bastante agasalhado porque, além de mesmo no verão não ser quente, o vento é constante e cortante.

Salar de Uyuni | Espelho

Acompanhe aqui os outros artigos da América do Sul e a experiência de 5 anos da Bruna vivendo como nômade.

Dicas e cuidados sobre o Salar de Uyuni

Nós fizemos o tour de um dia, que sai da cidade de Uyuni. Infelizmente, não tínhamos muito tempo disponível e fizemos bate e volta de La Paz. No entanto, o melhor mesmo é fazer um tour mais longo. Há opções que saem de Uyuni e também de São Pedro, que possibilitam conhecer o Atacama e o Salar na mesma viagem, que geralmente duram quatro dias. Aqui você pode verificar algumas opções de passeios com nosso parceiro GetYourGuide.

Saímos de La Paz à noite de ônibus e chegamos em Uyuni antes do sol nascer. Havíamos reservado o passeio com uma agência em La Paz, mas quando chegamos em Uyuni, percebemos que não é necessário. Quando descemos do ônibus, nos deparamos com muitas pessoas oferecendo os passeios. E o valor é mais baixo quando se contrata em Uyuni. Contudo, é claro que é melhor pesquisar antes a reputação das agências e preços. Na Bolívia, é sempre possível pechinchar, principalmente quando se está em mais pessoas.

Se você optar por fazer o passeio mais longo, preste especial atenção, na hora de escolher, no carro, no motorista (dê preferência por indicados) e hospedagem oferecidas. Geralmente são seis pessoas por carro, então é legal também saber com quem você vai dividir a viagem. Há também os tours exclusivos, com hospedagens melhores, porém custam 10 vezes o valor dos convencionais. Outro ponto muito importante: é muito arriscado ir ao Salar sem guia. Não há GPS nem sinal de internet e telefone. É extremamente fácil se perder, já que é tudo branco para todos os lados e a nossa noção de distância fica totalmente embaralhada.

Salar de Uyuni | espelo com Léo

O Cemitério de Trens de Uyuni

O nosso passeio começou por volta das 10h. Dividimos o carro com três australianos (um casal e o irmão de um deles). O nosso motorista/guia falava inglês, o que foi bom pro entrosamento do grupo. Tivemos bastante sorte, porque o guia era muito querido e solícito, e na hora do almoço e no momento de sentarmos no meio do nada para apreciar a vista, foi muito gostoso conversar com essas pessoas.

Nossa primeira parada foi no Cemitério de Trens. Trata-se de vários restos de trens, que foram deixados lá abandonados. Era uma estação importante, no qual os comboios ferroviários paravam quando transportavam ouro, prata e metais até o Chile, da onde eram exportados via o Pacífico. É também um museu a céu aberto. Ali os guias contam um pouco da história da Bolívia, e a importância que a extração desses minerais teve para o desenvolvimento e a história do país.

É mais um episódio das veias abertas da nossa América Latina, pra referenciar Galeano tratando da nossa história colonial. Muitos dos vagões foram fornecidos pela Grã-Bretanha e o projeto da ferrovia também foi gerido por britânicos no século XIX. Houve bastante resistência indígena à construção das ferrovias.

Salar de Uyuni | Cemitério de Trens

Na década de 1930, no entanto, com a crise de 1929, a escassez de minérios e a perda de parte do território boliviano para o Chile, os trens foram sendo abandonados em meio ao deserto. Apesar de tudo, essa história se mistura com uma paisagem intensa, já que o cemitério fica no altiplano andino, rodeado de montanhas deslumbrantes (nevadas no inverno) e um céu azul que só o deserto nos proporciona.

A produção de sal e os “saleros”

Nossa segunda parada foi em uma feira próxima ao Salar. Na feira, havia uma grande variedade de artefatos de sal e outra artes bolivianas lindas. Além disso, lá encontramos algumas fábricas que produziam sal de mesa, e tivemos a oportunidade de acompanhar a produção. Os “saleros” fazem parte de uma tradição centenária próxima ao Salar. Do sal sobrevivem diversas famílias ao redor de Uyuni, que trabalham na Cooperativa Colchani. Essa “indústria” é uma das que melhor paga na Bolívia e exporta principalmente para o Brasil. Ela está ameaçada, no entanto, pela expectativa de produção de lítio. O Salar possui uma das maiores reservas de lítio do mundo, o que pode render um bom dinheiro, e o governo tem investido em tecnologia e parcerias para extração. Os saleros, no entanto, andam bastante preocupados com essa ideia.

Saiba mais sobre minha experiência de 5 meses vivendo como nômade na América do Sul aqui.

Finalmente, o Salar de Uyuni

O Hotel de Sal e a Praça das Bandeiras

Por fim, chegamos ao Salar. E sobre a sensação de estar ali, é realmente difícil explicar. Talvez as fotos sejam mais eficazes nesse sentido, mas ainda assim, são insuficientes. Chegamos lá, tiramos algumas fotos e fomos para o hotel de sal que está desativado, próximo à Praça das Bandeiras. Essa praça em meio ao deserto reúne bandeiras de vários países e até de times de futebol. No hotel, o nosso guia nos preparou um almoço boliviano em uma mesa de sala, onde sentamos em bancos de sal para comer. O hotel é também impressionante. Deve ser divertido dormir lá.

Salar de Uyuni | Praça das Bandeiras
Praça das Bandeiras e Hotel de Sal ao fundo.
Almoço típico no hotel de sal.

Aproveitando o Salar de Uyuni

Depois disso, procuramos um lugar distante, onde não houvesse outros turistas próximos. E não é muito difícil, já que o Salar é gigante. E essa foi a parte mais impressionante pra mim. Estar em um lugar, junto de cinco pessoas, olhar ao redor e não ver nada além de céu. Como fomos no verão, o espelhado dava uma sensação de estarmos em meio às nuvens, no paraíso. Nunca visitei outro lugar que traduzisse tão perfeitamente a palavra surreal.

Nesse lugar, também aproveitamos para tirar as famosas fotos em perspectiva. Nosso guia foi bastante solícito e deu várias ideias. Contudo, adianto que as fotos ficam melhores no inverno, quando o Salar não está espelhado. Isso porque o reflexo denuncia.

Salar de Uyuni | Léo nas mãos
Salar de Uyuni | Ataque de Dinossauros
Salar de Uyuni | Léo e Bruna

Pra completar o dia de forma ainda mais surrealista, o pôr do sol. É daqueles momentos que dá vontade de parar o tempo e ficar aproveitando infinitamente. Na hora de ir embora o sol, lembro de ficar olhando pra trás tentando fixar o máximo possível aquela imagem em minha memória. Minha vontade era de ficar lá boquiaberta eternamente. Mas tudo bem, fico feliz com a expectativa de ainda poder voltar e viver ainda mais intensamente aquele lugar, em um tour de mais dias.

Salar de Uyuni | Pôr do Sol
SEM PALAVRAS!

Dicas Práticas

Como chegar no Salar de Uyuni

Para fazer o passeio pelo Salar, é possível sair de São Pedro, no Chile, ou da cidade de Uyuni. Se optarem pelo passeio de mais dias, é possível sair de um lugar e chegar no outro. Os passeios saindo de Uyuni, no entanto, são mais baratos. Para chegar à cidade de Uyuni, há opções de avião, ônibus e até trem. De avião, há voos saindo de La Paz por duas companhias bolivianas: Amaszonas e Tam (não é a Tam que gente conhece). De ônibus, é possível sair de La Paz de ônibus turístico, que faz o trajeto direto (foi a nossa opção e dura 10 horas. E também há a possibilidade de ônibus convencional, que faz uma parada e troca de ônibus em Oruro, o que faz a viagem durar 12 horas. Além disso, é possível ir até Oruro e de lá, pegar um trem até Uyuni.

Onde ficar em Uyuni

Como eu disse, nós fizemos bate e volta no mesmo dia La Paz-Uyuni. Sendo assim, não chegamos a dormir na cidade, que é minúscula e não tem muitas atrações além do Salar. Contudo, quem quiser fazer a viagem com mais calma e preferir pernoitar na cidade pra descansar antes ou depois do tour pelo Salar, é só buscar a melhor opção de hospedagem por aqui. Como somos parceiros do Booking.com, reservando sua hospedagem pelo nosso link você não paga nada a mais por isso, mas ajudará o blog. 

Bom, é isso! Espero que estejam tão animados pra conhecer essa maravilha do nosso continente quanto eu estou pra voltar lá!

E fala pra gente nos comentários o que você achou do Salar de Uyuni e também o que está achando da Série Nomadismo na América do Sul. Aqui você pode acompanhar os outros artigos da série.

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