Mujeres Creando, em Sopocachi | La Paz
América do Sul,  Bolívia,  destinos

Morando em La Paz por um mês

Oi, pessoal! Para retomar a nossa série sobre nomadismo na América do Sul, hoje eu vou contar da minha experiência nesse país tão peculiar quanto surpreendente chamado Bolívia! Fomos de Salta, Argentina, a La Paz, capital da Bolívia, de ônibus de linha! Foram mais de 24 horas de viagem e um perrengue e tanto, mas tudo valeu a pena! A Bolívia, talvez por ser um país pobre, é um pouco desvalorizado por brasileiros… Porém, é um país não só barato como seguro. Além disso, suas belezas naturais e culturais são de um encanto inesquecível! Hoje vou compartilhar um pouco do que fazer em La Paz, a capital mais alta do mundo!

A Bolívia foi o primeiro destino no qual tivemos uma experiência um pouco mais longa. Assim, decidimos fazer de La Paz a nossa base, da qual partimos também para alguns outros destinos no país. Já adianto que um mês na Bolívia, principalmente levando em conta que só aproveitamos mesmo os finais de semana, não foi nem de perto o suficiente. Se tiverem oportunidade, recomendo que se fique pelo menos dois meses. Foi muito difícil fazer o roteiro e super doloroso decidir o que ficaria de fora. Nesse post, vou falar apenas de La Paz e arredores, e vou deixar o Salar de Uyuni, Copacabana e a Isla del Sol para o próximo!

Primeiramente, a “soroche”

Antes dos detalhes, é importante mencionar que La Paz é uma cidade que exige certos cuidados pra nós que costumamos viver no nível do mar. Ficar pouco tempo na cidade é arriscado porque é necessário um tempo para nos acostumarmos com a altura (3640 metros!). E uma dica importante de quem errou: não encha a cara no primeiro dia! A aclimatação para prevenir o “mal de altitude” pode demorar alguns dias e pede alguns cuidados. Não é recomendado fazer esforços físicos, nem comer nada muito gorduroso ou beber álcool. Recomenda-se também tomar bastante água! Perdemos alguns dias por conta de não seguir essas recomendações, então façam o que eu digo e não o que eu faço e aproveitem La Paz!

Montanha Chacaltaya

Chacaltaya e Valle de La Luna são passeios que podem ser feitos no mesmo dia. Contratamos uma agência no centro da cidade (na Calle Jaen é onde há várias pra você pechinchar!) e fomos com uma van no dia seguinte. O Chacaltaya é uma montanha de mais de 5 mil metros de altitude localizada nos arredores de La Paz. Lá, podemos ver o que sobrou do Chacaltaya Ski Resort, que era a estação de esqui mais alta do mundo! Infelizmente, devido ao aquecimento global, hoje já não há neve suficiente para que ela funcione. Mas para os meus parâmetros, ainda teve bastante neve!

Montanha Chacaltaya | La Paz | Bolívia
A van dá uma parada no meio da subida pra gente fazer xixi (a céu aberto mesmo, haha)

A estrada até o topo da montanha é muuuito sinuosa e cheia de neve, o que deixa tudo, no mínimo, emocionante (morri de medo)! O caminho, no entanto, é maravilhoso: há várias lagoas e pequenas cabrinhas encantadoras (sou apaixonada!). A van não para no topo do morro, então tivemos que andar uma meia hora até lá, o que é beeem difícil nessa altitude. É importante estar preparado com botas de trekking e casacos corta vento. Também pode ser uma ótima oportunidade para mascar folha de coca (que é amarga demais, por sinal), que dizem que ajuda um pouco. Eu, que estava totalmente fora de forma, sofri um bocado. Mas foi lindo ver neve depois de tanto tempo e aproveitar o charme de uma casinha de madeira (a estação) abandonada num lugar tão alto do nosso continente.

Montanha Chacaltaya | La Paz
Paradinha para descansar
Topo do Montanha Chacaltaya | La Paz
FInalmente no topo do Chacaltaya

Acompanhe aqui todos os artigos da vida de Nômade da Bruna na América do Sul.

Valle de la Luna

Depois disso, seguimos para o Valle de la Luna, que fica na zona sul de La Paz. Diferentemente do Chacaltaya, é um tour que é possível de fazer sem agência, o que só nos demos conta depois. O contraste da paisagem é de um impacto e tanto! O Valle de la Luna, que tem esse nome por se parecer com a superfície da Lua (dizem), é um deserto com clima muito seco e mais quente. É possível fazer um percurso curto (15 minutos) ou um percurso mais longo (40 minutos). Fizemos o longo e valeu muito a pena, as paisagens são incríveis! Eu, que sou fã de deserto, recomendo demais. Contudo, são passeios cansativos para se fazer no mesmo dia (começou às 8h e foi até umas 15h). Assim, recomendaria, caso tenham tempo, fazer em dias diferentes.

Vale de la Luna | La Paz
Valle de la Luna

Teleférico e o Mercado de las Brujas

La Paz tem o maior sistema de transporte via teleféricos do mundo. Mas ele não é só extremamente útil pra percorrer distâncias na cidade, que tem bastante morro. É também uma ótima oportunidade pra ter uma vista maravilhosa da cidade. Como ficamos os primeiros quinze dias hospedados no bairro San Miguel, que fica na zona sul da cidade, o teleférico foi a nossa opção pra chegarmos no centro.

É no centro um tanto caótico de La Paz (tentem não se assustar com o trânsito) que fica o Mercado de las Brujas. Também chamado Mercado de Hechicería, lá são vendidos vários produtos associados aos rituais culturais dos Aymara e Quechua, principais etnias indígenas que marcam forte presença no país. É muito grande, então difícil determinar o lugar, mas fica entre as Calles Sagarnaga e Santa Cruz. São muitas barracas na rua que vendem velas, tecidos, ervas, pedras e amuletos. Animais ressecados e até múmias de fetos de lhama podem ser encontrados lá (usam só fetos provenientes de abortos espontâneos).

Feira 16 de Julio, em El Alto

Outra atração que me surpreendeu muito foi a Feira 16 de Julio, em El Alto. El Alto é uma cidade vizinha de La Paz e fica literalmente no alto (4150 metros), dando pra ver La Paz lá de cima. Então a ida até lá já vale a pena pela vista incrível da subida. Além disso, a cidade cresceu absurdamente nas últimas décadas e tem hoje mais de um milhão de habitantes, maior que a capital do país. Sua importância econômica se deve, sobretudo, a essa feira, que não tem nenhuma regulação fiscal do governo.

O que significa que a feira é uma loucura total. Lá se vendem diplomas, pinguins, lhamas vivas ou empalhadas e, enfim, tudo que você puder imaginar. São mais de 10 mil barracas em 10 quilômetros, sendo a MAIOR feira a céu aberto do mundo! Caso queira comprar algo (tem coisas mais normais também, juro), é um ótimo momento pra aprender a negociar. Não existe compra sem pechincha na Bolívia (Peru e Colômbia também).

Comer e beber em La Paz

Além do Centro, outros dois barros são interessantes pra comer, beber e sair em La Paz.

San Miguel

Esse é um dos bairros mais ricos de La Paz, fica na zona sul e destoa bastante do resto da cidade. Oferece muitas opções de restaurantes, bares, baladas e lojas internacionais. Vale a pena ficar lá quando se quer mais conforto, mas ele não tem nada da “cara” da cidade. Recomendaria visitá-lo quando ficarem cansados da diferença radical que a Bolívia nos apresenta, já que em San Miguel vocês vão encontrar algo mais parecido com o que encontrariam em qualquer bairro de classe média de qualquer país ocidental.

Em San Miguel, recomendo tomar uns drinks enquanto ouve discos (e conhece uns malucos) no Capotraste Music Bar. E pra quem curte rock, o Alive Rockers Music Bar tem shows nacionais e internacionais ao vivo e é um lugar onde me diverti bastante (e que me rendeu uma semana mal da soroche). Em San Miguel também comi um dos melhores hambúrgueres de toda viagem, no Crafted Burgers N Beers. As cervejas artesanais deles também foram suficientes pra matar o desejo de uma blumenauense viciada que passou vontade na maior parte da viagem.

Nosso airbnb em San Miguel
Hambúrguer com Blueberries do Crafted Burgers N Beers, em San Miguel

Sopocachi

Outro bairro legal pra ficar ou passear é Sopocachi. Ele fica mais perto do centro e tem bem mais a “cara” de La Paz, embora também seja um bairro rico. Lá, destaco três cafés incríveis que visitei e amei. O Café Blueberries, super charmoso e bom também pra trabalhar. O Las Tres Escobas, que é um café inspirado em Harry Potter que eu, como fã inveterada, super aprovei. E finalmente, o Mujeres Creando, que é um café feminista. Lá, fazem atendimento a vítimas de violência doméstica, vendem zines e a decoração é incrível e impactante.

Mujeres Creando, em Sopocachi | La Paz
Fachada do Mujeres Creando, em Sopocachi

DICAS PRÁTICAS

Como chegar em La Paz

Eu embarquei numa loucura ao escolher ir de ônibus para La Paz. Se essa for sua escolha, recomendaria pegar pelo menos um leito ou uma companhia mais focada nos turistas, caso queira se livrar do perrengue de uma janela quebrada no frio, ônibus sem banheiro, dentre outros. O principal terminal de ônibus de La Paz fica na Plaza Antofagasta, e pode ser útil pra fazer outros passeios próximos a La Paz, como Copacabana. O mais cômodo pra chegar em La Paz é ir de avião. O aeroporto fica em El Alto (o mais alto do mundo como tudo por lá) a 10 quilômetros do centro de La Paz, então é necessário pegar táxi ou ônibus. Não há voos diretos para La Paz. As opções passam por Santa Cruz de la Sierra, grande cidade boliviana que ouvi falar muito lá e ainda quero conhecer. Ou por Lima, no Peru.

Onde ficar em La Paz

Em La Paz, decidimos ficar 15 dias no bairro San Miguel e outros 15 dias em Sopocachi. São experiências bem diferentes, como relato ao longo do texto, mas valeu muito a pena fazer assim. Como ficamos mais tempo, acabamos decidindo pelo airbnb, que dá descontos em estadias prolongadas e também nos permite cozinhar em casa. Mas La Paz oferece uma variedade gigante de hospedagens, de hostels a hoteis chiques.

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Bom, por hoje é isso! Espero que tenham se inspirado a conhecer essa cidade incrível que é La Paz. É uma paz, digamos, bastante intensa, e que te transforma da cabeça aos pés.

E fala pra gente nos comentários o que você achou de La Paz e também o que está achando da Série Nomadismo na América do Sul. Aqui você pode acompanhar os outros artigos da série.

Beijos,
Bruna.

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